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O troféu do GP da Espanha tem a forma da curva mais inclinada do calendário

A peça que o vencedor levanta no domingo foi desenhada pela Pininfarina e reproduz La Monumental, a curva inclinada que vai virar o cartão-postal do circuito

Por Lucas Oderdenge09/09/2026 12h40
Troféu Monumental, um arco metálico que reproduz uma curva, com o traçado do circuito desenhado em neon vermelho ao fundo
Foto: Madring

O vencedor do Grande Prêmio da Espanha levanta no domingo um troféu que não é uma taça. É uma curva. A peça se chama Monumental, foi desenhada pelo estúdio italiano Pininfarina e reproduz o trecho que vai definir a identidade do Madring antes mesmo de o circuito receber a primeira corrida.

O que a forma do troféu representa

O desenho parte do traçado completo do Madring e estica esse traçado até ele se fundir com La Monumental, a curva inclinada do circuito. O resultado é aquele arco quase fechado, que sobe e volta sobre si mesmo.

Um detalhe em vermelho percorre o contorno da peça, refazendo o desenho da pista. E o topo do arco traz o mapa do circuito recortado, o que faz o objeto funcionar em duas leituras: de longe é uma curva, de perto é o traçado inteiro.

O que é La Monumental

É a curva 12, e o número que a define é a inclinação: 24%. Ela é a curva inclinada mais longa do calendário atual.

Inclinação muda o comportamento do carro de um jeito que reta e curva plana não mudam. Parte da carga que o piloto precisaria arrancar da aerodinâmica passa a vir da própria geometria da pista, e o carro aguenta mais velocidade no mesmo raio. É por isso que o trecho tende a virar o ponto mais comentado do fim de semana, e é por isso que ele virou troféu antes de virar corrida.

Quem escolheu o desenho

O troféu saiu de uma disputa com três finalistas: a artista madrilenha Sandra Val, o estúdio Pininfarina e a diretora de galeria Laura Atalay. A decisão foi anunciada em 27 de fevereiro, meses antes da estreia da pista.

O júri misturou automobilismo, arte e arquitetura: Carlos Sainz, bicampeão mundial de rali, ao lado de Guillermo Solana, do Museu Thyssen-Bornemisza, Louise Young, da Fórmula 1, Gonzalo Cabrera, da IFEMA Madrid, e a arquiteta Teresa Sapey.

Vale a distinção, porque os dois nomes vão aparecer no mesmo fim de semana: o Carlos Sainz do júri é o pai, campeão de rali e do Rali Dacar. O filho, Carlos Sainz Jr., é quem corre no domingo, em casa.

Sobre a peça, Sainz disse que “Monumental será mais que um troféu: será o símbolo erguido pelo primeiro campeão da história do MADRING e a representação de como entendemos a vitória em Madri”, segundo o material de imprensa do circuito.

Por que isso reaparece agora

O troféu foi apresentado em fevereiro. O que aconteceu nesta semana foi a Fórmula 1 recolocá-lo em circulação, às vésperas da corrida, que acontece entre sexta e domingo.

É movimento comum quando um circuito estreia: a organização passa o ano construindo símbolo, e usa a semana da prova para cobrar o investimento em atenção. No caso de Madri, o símbolo escolhido não foi o estádio, nem a cidade, nem a bandeira. Foi uma curva que ninguém ainda viu um carro de Fórmula 1 atravessar.